Sal grosso no assédio moral

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Luís Carlos Luciano*
Coube-me na partilha dos temas abordados como parte do 23º aniversário
do Sinjorgran, 9 de dezembro, tocar num fantasma: o assédio moral.
Logo me veio à mente a história de um velho amigo que sentiu na pele
essa degeneração. Passara maus bocados em pelo menos três redações
onde trabalhara.

Em todas as ocasiões ele preferiu pedir as contas a reagir. Já estava
com o saco cheio e com os nervos a flor da pele. Não revidou, não
denunciou e menosprezou o trauma. O sindicato na cidade dele era
disperso, não oferecia acolhida. As evidências eram frágeis, menos
alguns bilhetes desaforados da chefia. Os colegas de trabalho não
testemunhariam a seu favor.
A dor já passou. Hoje ele guarda, sem ressentimentos, essa triste
lembrança, mas ficou mais esperto. O capeta fecha uma porta e Deus
abre outras. O Sol continuou brilhando para ele. Quem apostou na
barata morta se enganou.
Ele crê na redenção, mas aqueles fatos tornaram os tiranos reféns da
consciência dele.
Recorro, permita-me caro leitor, ao caso desse amigo porque já há
bibliografias sobre o assunto no Google explicando detalhes sobre o
assédio moral, como evitá-lo e como buscar ajuda. Invoco, no entanto,
a adjetivação: assédio moral beira à canalhice, à tirania, à
insanidade. É crime difícil de ser provado, mas é crime!
Lógico que cada caso é um caso. Mas, no nosso meio, pior e ainda mais
vergonhoso é ver um colega jornalista assumindo o papel de algoz num
flagrante desrespeito às fontes, aos companheiros de trabalho, ao
leitor, à categoria e à própria empresa. Jornalista com um mínimo de
decência não faz isso. Não usurpa. Esse comportamento antiético,
infelizmente, não é tão raro como se imagina.
Mas geralmente o assédio moral virulento vem de cima para baixo. O
objetivo é sempre manter a redação em rédeas curtas, com liberdade
cerceada para não atrapalhar os interesses da casa e anunciantes que
nem sempre são – pasmem! - os mesmos dos leitores. Há também as
incompatibilidades e a fogueira de vaidades alimentando essas
agressões.
Realmente deve ser muito difícil manter a cabeça erguida quando ficam
jogando lixo em cima da gente, quando nos humilham na frente dos
colegas, nos diminuem intelectualmente e nos impõem tarefas absurdas.
Chefias intransigentes e maquiavélicas se sobrepondo, exibindo um
poder efêmero e ridículo.
Acredito que não possa haver hierarquia eficiente sem harmonia,
trabalho ético, respeito, regras claras, uma relação digna no ambiente
de trabalho e salários justos. Conflitos são inerentes nas redações,
mas isso no campo das ideias, sem selvagerias.
Nunca haverá compatibilidade em ambiente assombrado pelo assédio moral
e quando há chefias bipolares e com a macaca no corpo. Essas pessoas
deveriam fazer terapia ou, no mínimo, um tratamento com sal grosso.
Atribuem a Getúlio Vargas esta frase: "Quem muito se agacha perde com
a indignidade do gesto o respeito que lhe é devido".
A despeito do meu amigo entendo que nós, jornalistas, precisamos
resistir a isso e denunciar sempre. Não podemos aceitar esse
redemoinho de crueldade.
O Sinjorgran é a segunda casa dos jornalistas e está aberto às
denúncias. A entidade tem a obrigação de defendê-los. Se não reagirmos
enfraquecemos com a vergonha e o medo que alimentam essa imoralidade.
O artigo 6 º do capítulo 2, parágrafo XIII do Código de Ética, orienta
que todo jornalista deve "denunciar as práticas de assédio moral no
trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética
competente".
Se o meu amigo estivesse na jurisdição do Sinjorgran certamente a
tratativa seria outra porque aqui, quando está em jogo a defesa
legítima, "Nóis capota mas não breca", como a música de Hugo
Tarantini.

* Vice-presidente regional Centro-Oeste da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj) e tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas
Profissionais na Região da Grande Dourados (Sinjorgran).

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