Bases de Estudo: UFGD investe em pesquisa, extensão e ensino em pontos estratégicos de MS

A instalação de bases em Sidrolândia, Nova Andradina, Corumbá e Ponta Porã será fundamental para a experiência de estudantes, pesquisa de docentes e desenvolvimento sustentável das populações locais


Reitor e docentes durante visita à base de Ponta Porã - Bacia Hidrográfica do Rio Apa, com 11 hectares.
Desde sua implantação, em 2006, a UFGD tem como mote não apenas a formação profissional e a abertura de oportunidades para pesquisadores de diversas áreas, mas também vem cumprindo o papel social da Universidade, que é o de integrar a comunidade, interna e externa, a fim de colaborar com a melhoria da vida dessas pessoas.
Seguindo essa vocação democrática de incluir a sociedade em suas ações, a UFGD conta hoje com quatro Bases de Ações de Pesquisa, Extensão e Ensino em localidades estratégicas para a junção entre acadêmicos, pesquisadores, docentes e a comunidade em geral, no sentido de realizar projetos que beneficiem tanto o ensino, quanto a pesquisa e os projetos de desenvolvimento da região.

Atualmente são três acordos de cooperação técnica disponibilizando áreas onde estão sendo implantadas as bases de Sidrolândia, Nova Andradina e Ponta Porã, além da guarda provisória de uma área em Corumbá. Os três primeiros foram firmados recentemente, em dezembro de 2012, e já terão suas primeiras atividades como base de pesquisa neste ano.
Baía Negra
Em Corumbá, a cedência da guarda provisória foi efetivada em 2011, pela União a UFGD, disponibilizando um imóvel localizado na Área de Preservação Ambiental (APA) Baía Negra, na região do Pantanal. A universidade é responsável pela vigilância, limpeza e manutenção do local, que já conta com um prédio de alojamentos (18 apartamentos), um refeitório e duas casas, sendo o restante e maior parte do espaço, uma área de floresta.
No final de 2012 foi empenhada verba para a reforma das instalações, que já deve receber acadêmicos de diversas graduações e pós-graduações em 2013, para prática de disciplinas in loco, como a de Biodiversidade, do mestrado de Biologia Geral. A maior expectativa, entretanto, é colaborar com o cuidado e preservação ambiental da área e promover projetos com a população do entorno em prol de sua sustentabilidade econômica e convivência harmônica com a floresta.
Assentamentos Eldorado II e Santa Olga
Nos municípios de Sidrolândia e Nova Andradina, região de grande concentração de assentamentos rurais, professores da UFGD já vêm desenvolvendo diversos projetos com a comunidade local, no sentido de estimular e desenvolver a pequena produção destas famílias.
Em dezembro de 2012, por fim, houve a disponibilização das áreas das sedes dos assentamentos Eldorado II, em Sidrolândia, e Santa Olga, em Nova Andradina, para que sejam instaladas as Bases de Ações de Pesquisa, Extensão e Ensino, as quais já tem previsão de funcionamento para 2013.
O Acordo de Cooperação Técnica entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a UFGD para concessão destas áreas foi formulado em decorrência deste trabalho da universidade e vai propiciar a ampliação do alcance das experiências desenvolvidas pela instituição em áreas como meio ambiente, saúde, educação e economia, entre outras. "Somente em Sidrolândia são mais de 20 assentamentos e nós temos diversos projetos que podem ser estendidos para estes espaços", afirma a coordenadora de Extensão da UFGD, professora Alzira Salete Menegat.
Ela explica que as ações a serem implantadas no local vêm sendo negociadas com os moradores, para que sejam aplicadas em acordo com as reais necessidades da região. "A intenção é encaminhar processos produtivos para estes locais e que eles se estendam às famílias", certifica a professora.
Um dos projetos já realizados pela UFGD e que pode ser ampliado para os assentamentos é a Incubadora de Tecnologias Sociais e Solidárias (ITESS), que desenvolve ações de apoio a empreendimentos de economia solidária e pode auxiliar a comunidade em seus pequenos negócios.
Também, recentemente, foi aprovado pelo Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o curso de especialização Residência Agrária, que será ofertado nas regiões de assentamentos numa parceria entre a UFGD e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), e tem nessas localidades, tanto público alvo, como campo de estudo.
Outros cursos e capacitações serão oferecidos à população no intuito de desenvolver fontes de renda para as famílias, como em prol de experiências com a pequena produção (cultivo de milho, mandioca e outras culturas, apicultura, bovinocultura e piscicultura), a transformação destes itens em produtos para comercialização e o trabalho com a organização política destas comunidades. "A partir do momento em que as famílias conseguem comercializar seus produtos, estes agregam valor e assim se dá o desenvolvimento destas regiões", conclui a docente.
Bacia Hidrográfica do Rio Apa
Também em dezembro de 2012 foi assinado, entre a Prefeitura Municipal de Ponta Porã e a UFGD, um Acordo de Cooperação Técnica para concessão de uma área do município, em Ponta Porã, onde será instalada a Base de Ações de Ensino, Pesquisa e Extensão na Bacia Hidrográfica do Rio Apa, com o propósito de garantir a sustentabilidade do local.
A área em questão, localizada no distrito Cabeceira do Apa, abrigou o Centro de Interpretação Ambiental criado pelo Projeto de Gestão Integrada da Bacia do Rio Apa (Giapa), iniciativa executada pela Prefeitura Municipal de Ponta Porã em parceria com a Governación del Departamiento de Amambay, financiada pela União Europeia e coordenada pela organização não-governamental espanhola Paz y Desarrollo.
Com o encerramento do projeto em janeiro de 2013, a administração de Ponta Porã cedeu a área para que a UFGD monte a base e use o local para pesquisas e aulas para seus acadêmicos e projetos envolvendo a comunidade. O espaço em questão será transformado em um Parque Natural Municipal, ao lado da nascente do rio Apa.
A bacia hidrográfica transfronteiriça do rio Apa está localizada na Bacia da Prata, no extremo sul da Bacia do Alto Paraguai, região de grande riqueza biológica. Está dentro do bioma Cerrado, mas com grande influência do Chaco e da Mata Atlântica. Desta forma, um dos projetos que já vendo sendo desenvolvidos no local, com o auxílio da UFGD, é o Plano de Manejo da Área de Preservação Ambiental (APA), prospecto de como serão as ações na futura reserva ambiental.
Além disso, conforme a professora da UFGD e integrante do Giapa, Zefa Valdivina Pereira, o espaço já está sendo usado por estudantes do mestrado em Biologia Geral, que em janeiro levaram alunos da graduação de Biologia para uma visita ao local, durante o Curso de Verão de Prospecção.
Ela diz que o lugar servirá para a aplicação de diversas disciplinas para alunos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, como a de Recuperação de Áreas Degradadas, do mestrado em Biologia Geral. Existe o projeto para que a sede da base também seja local de visitas de estudantes de escolas da rede pública do entorno.
A sede, que está sendo construída, contará com centro de visitantes, centro de coleta de informações meteorológicas e viveiro para mudas, que será essencial para várias atividades que já vem sendo desenvolvidas pela Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais. Já em 2013, a base deve oferecer cursos para moradores de assentamentos da região, assim como dar continuidade ao projeto desenvolvido pelo Giapa, pelo uso sustentável da biodiversidade.
"A área é rica em possibilidades, pois dentro dela estão inseridos recursos hídricos, biodiversidade e populações indígenas e de assentados, sendo que num raio de dez quilômetros temos as bacias do rio Miranda, Apa e Dourado", ilustra a professora.

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