19 de abril: “Não há o que comemorar”, lamenta Aliscinda Terena



No dia 19 de abril em que se comemora o Dia do Índio, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos dos Povos indígenas de Campo Grande, Aliscinda Terena, diz que não há o que comemorar porque historicamente a situação dos índios é marcada pelo abandono, perseguição e miséria. Ela aproveita a data para pedir mais respeito, atenção, democracia e inclusão social para os indígenas do Estado.

"A frente do Conselho tenho me decepcionado muito com o tratamento dado, principalmente das autoridades, aos povos indígenas. Convidamos a todos os 29 vereadores para uma reunião ordinária, na semana do Índio, onde íamos entregar nosso Plano de Política Pública, mas apenas três vereadores compareceram (Luiza Ribeiro, Carla Stefanini e Edson Shimabukuro), isso mostrou o desinteresse em nos ouvir e discutir nossas necessidades" comentou Aliscinda.

Entre as principais reivindicações dos indígenas em Campo Grande está a educação diferenciada, ou seja, o acesso à língua materna de cada etnia. "A língua faz muita falta na nossa vida, os professores não estão capacitados a ministrarem aulas em guarani e terena. Muitas crianças já não conseguem ter nenhum contato com o idioma. Professores capacitados existem, mas eles não estão nas salas de aulas', lamenta.

A falta de moradia também é outra problemática, muitos indigenas migram para a cidade em busca de formação profissional, porque nas aldeias dificilmente conseguem acesso as universidades. "Chegam e se espalham, assim temos o esvaziamento das aldeias sem estimativa exatas. O que vemos são famílias amontoadas e no caso do Indubrasil, muitos indígenas pagam aluguel para trabalharem nas fabricas existente lá", comenta.

Das cinco comunidades indígenas em Campo Grande, apenas a Aldeia Marçal de Souza conta com espaço para atividades físicas e culturais, as outras aldeias reivindicam espaços de arte e esporte, principalmente para as crianças, que na cidade perdem muito de sua cultura devido à falta de acesso e os adultos já não sabem mais da sua cultural porque o tempo e as necessidades de viverem na cidade arrancaram suas raízes culturais. "Como na cidade não existe uma comemoração digna no dia 19 de abril, muitos indigenas buscam suas aldeias de origem para celebrar suas tradições, inclusive no Plano Municipal propomos que no dia 19 de abril, os alunos indígenas sejam liberados para que possa visitar as aldeias dos seus povos nesta data", comentou Aliscinda.

Em Campo Grande vivem aproximadamente 8 mil indígenas das etnias terenas, guarani, kadwéu, guato e kinikinau que estão distribuídos nas aldeias Marçal de Souza, Água Bonita, Darcy Ribeiro, Comunidade Indígena Tarsila do Amaral e Comunidade Indígenas Indubrasil

Data

Dia do Índio no Brasil foi criado em 1943, por meio do decreto-lei 5.540, do presidente Getúlio Vargas. Esta data foi escolhida baseada na iniciativa do México, onde em 1940 foi realizado o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, com o objetivo de conscientizar a importância dos índios.

Marinete Pinheiro




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