Faculdade Intercultural Indígena inicia projeto de documentação indígena

Tiveram início na última sexta-feira, dia 8 de novembro, as atividades do projeto Pesquisa, Produção e Compilação de Documentos Relativos à Violação de Direitos dos Povos Indígenas em MS. Este projeto é realizado por professores da Faculdade Intercultural Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND/UFGD).  
A primeira ação foi a realização de visitas às aldeias Porto Lindo (Japorã, MS), Rancho Jacaré (Laguna Caarapã) e aos acampamentos indígenas Pacurity (Dourados, MS) e Apykai (Dourados, MS) para entrevistas com indígenas das etnias Guarani e Kaiowá sobre a história do tempo presente e o histórico da relação entre o Estado e os povos indígenas em Mato Grosso do Sul.

Conforme os docentes que realizaram as entrevistas, os anciãos indígenas Damiana e Bonifácio, relataram que os problemas enfrentados pelos índios no presente relacionam-se com a transferência involuntária, mediante violência, ação policial, pressão de fazendeiros, entre outros expedientes, dos Guarani e Kaiowá de suas aldeias (tekoha) para as pequenas áreas reservadas entre 1915 e 1928.
Os professores explicam que as reservas indígenas foram criadas com o objetivo de liberar as terras para a instalação de fazendas, e a retirada dos povos indígenas das áreas onde habitavam foi realizada em ação conjunta entre empresas de colonização e o estado do então Mato Grosso, notadamente após a década de 1950 com o fim do monopólio da Companhia Matte Laranjeira.
Nas entrevistas, os indígenas mais idosos relataram que, a partir dos aldeamentos e da sua retiradas das terras, houve um assentamento sistemático de colonos mediante políticas públicas estatais em áreas de presença tradicional indígena, mas declaradas devolutas pelo governo. Os indígenas também perceberam que ao longo dessas décadas intensificou-se a instalação de empreendimentos agropecuários, e notam ainda a alternância entre os ciclos econômicos da soja e da cana-açúcar. Tais situações foram relatadas por idosos durante as entrevistas nos acampamentos Apykai e Pacurity, além de confirmados por documentos públicos do Serviço de Proteção ao Índio.
Tomaram parte nessa ação o cineasta Vincent Carelli, do projeto Vídeo nas Aldeias, a psicanalista Maria Rita Kehl, da Comissão Nacional da Verdade, além dos professores Neimar Machado de Sousa (UFGD), coordenador do projeto, o antropólogo guarani e kaiowá, Tonico Benites (UFGD), além de acadêmicos indígenas da UFGD, Alecio Soares Martins e Jesus de Souza, ambos da aldeia Te’ýikue, de Caarapó, MS.
As atividades de pesquisa contam com o apoio e parcerias do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, o Ministério Público Federal, MPF/MS, da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensno, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, FUNDECT/MS, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, e inserem-se nas atividades do Laboratório de História da Educação Indígena e Interculturalidade, LABHEI.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas no telefone 3410-2621 ou pelo e-mail neimarsousa@ufgd.edu.br.    

Mais lidas

Faculdades de Medicina no Paraguai: Universidade USCA abre 280 vagas para curso de medicina e inscrições já estão abertas.

Veja a relação dos candidatos a vereador em Dourados com número que aparece na urna

Proprietários são notificados para adequação das calçadas em Dourados