​Indígena diz que Cimi participa de invasões, mas não realiza projetos sociais


O ex-coordenador do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), Hilário da Silva, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (18) à CPI do Cimi e disse que membros do Conselho Indigenista Missionário estão presentes em várias "retomadas" (invasões), mas não desenvolvem projetos sociais nas aldeias.

"Dentro das minhas andanças nas aldeias, não tenho conhecimento de um trabalho concreto do Cimi na área social. Apenas o historiador Antônio Brand tinha um projeto em Caarapó, mas ele já faleceu", afirmou.

De acordo com Hilário, que é técnico em enfermagem e pertence à etnia Kadiwéu, os membros do Cimi nunca são vistos em aldeias estruturadas e com terras homologadas.

Para a presidente da CPI, Mara Caseiro (PSDB), e o relator, Paulo Corrêa (PR), esse pode ser um sinal de que o principal objetivo do Conselho Indigenista Missionário é atuar nas invasões de propriedades particulares, e não em projetos sociais que contemplem as comunidades indígenas.


Além de coordenador do Dsei, Hilário também representou os indígenas de sua etnia no Condisi (Conselho Distrital de Saúde Indígena). Questionado sobre o empenho do Cimi em trabalhar pela melhoria da saúde dos povos indígenas, afirmou que as lideranças esperavam mais da organização.

"Não conheço profundamente o funcionamento do Cimi, mas sabemos que vem recurso, porque toda ONG recebe, mas não sei que valores. Hoje as lideranças reclamam isso. Gostaria que o Cimi usasse esse recurso e fosse parceira em projetos estruturantes para as aldeias", afirmou.

O indígena também foi sabatinado sobre sua saída da coordenação do Dsei. Mara Caseiro perguntou se o Cimi tinha interferido no processo de exoneração.

Ele não soube especificar, mas enfatizou que líderes petistas, intimamente ligados ao Cimi, podem ter atuado diretamente nesse processo, entre eles os deputados federais Zeca do PT e Vander Loubet (PT).

Em seu lugar, foi nomeado Lindomar Terena, assessor de Zeca.

RETA FINAL

A próxima oitiva da CPI do Cimi acontece na quarta-feira (20), às 14h, quando vão depor o advogado do Cimi, Luiz Henrique Eloy, a indígena Valdelice Veron (Aldeia Taquara – Juti), e o secretário executivo do Cimi, Cléber Buzatto.

Também foram aprovados nesta tarde os depoimentos de Enedino da Silva, Mauro Paes, Wanderlei Dias Cardoso e o cacique Ramiro Luiz Mendes.

Conforme a presidente do colegiado, os depoimentos prosseguem até o próximo dia 27. O relatório final deverá ser entregue até o dia 11 de maio.

A CPI tem ainda como membros os deputados Marquinhos Trad (PMDB) e Pedro Kemp (PT).




FOTOS - WAGNER GUIMARÃES - AL/MS


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