UFGD terá sua primeira estudante surda a conquistar o título de mestre


Ana Paula Oliveira e Fernandes vai defender sua dissertação na próxima sexta-feira, 31 de março

A mestranda Ana Paula Oliveira e Fernandes será a primeira aluna surda a obter o título de mestre pela Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. A dissertação "Diferenças entre fala e escrita do surdo: reflexões teóricas segundo uma experiência própria"  será defendida no dia 31 de março, na Unidade 1 e foi orientada pela professora doutora Rita de Cássia A. Pacheco Limberti.

Ana Paula é do Mestrado em Letras da Faculdade de Comunicação, Artes e Letras - FACALE. Segundo a professora orientadora, a conclusão no mestrado constitui um marco histórico nas conquistas da luta da comunidade surda e um episódio emblemático do processo de inclusão da comunidade acadêmica, acentuando os contornos do perfil da UFGD como instituição inclusiva e igualitária.

A professora explicou também que a sessão de defesa, como todas as etapas da formação do mestrado de Ana Paula, será especial devido a sua peculiaridade e demandas. O evento terá dois tradutores/intérpretes de Libras e um dos membros da banca é surdo.  Conforme Rita Limberti, raros são os profissionais que possuem os pré-requisitos para participar da banca, ou seja, ter titulação superior ou igual à de mestre e pertencer a um Programa de Pós-Graduação. Neste caso, irá compor a banca o professor doutor Rodrigo Rosso Marques, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, que participará por vídeo.

SERVIÇO
Cerimônia de abertura da Sessão de Defesa de Dissertação de Mestrado da aluna ANA PAULA OLIVEIRA E FERNANDES - a primeira pessoa surda a defender uma dissertação de mestrado na UFGD.
Dia: 31 de Março de 2017
Horário: 14h
Local: Auditório da Unidade 1 - prédio da Reitoria (Rua João Rosa Góes, 1761, Vila Progresso - Dourados/MS)

Ana Paula Oliveira e Fernandes possui graduação em Educação Artística pelo Centro Universitário da Grande Dourados e graduação em Licenciatura em Letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. É especialista em Psicopedagogia, em Arte-Educação e em Educação Especial: Enfoque em Surdez. Atualmente é professora do magistério superior da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em LÍNGUA DE SINAIS, atuando principalmente nos seguintes temas: língua de sinais, surdez, educação especial, Libras e educação a distância.

RESUMO DA PESQUISA
DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA DO SURDO: REFLEXÕES TEÓRICAS SEGUNDO UMA EXPERIÊNCIA PRÓPRIA
Há incontáveis histórias marcantes sobre a pessoa surda em seu percurso de lutas e tentativas de aceitação pela comunidade ouvinte. Minha vida tem se tornado uma sucessão de desafios, de descobertas, de estranhamentos, de tentativas de compreender o mundo separatista entre os ouvintes e os surdos. Tive uma vida além de desafios, pois vivi as experiências de conhecer o preconceito, a discriminação e a resistência à aceitação do meu ser surda. Sabia visualizar muitas coisas, mas tinha anseio de entender o que eu via, a realidade, o sentido da interação entre as pessoas. Queria entender o que as pessoas diziam. Qual o sentido e significado da sua fala? O objetivo desta pesquisa consiste na análise do discurso e fenomenologia sobre ser surda, além das possibilidades de compreensão entre os dois mundos dos surdos e ouvintes. A partir da minha própria vivência, posso relatar sobre o fenômeno de ser surda e sobre a capacidade de conseguir me comunicar entre os dois mundos além. Espero que nesta dissertação possa descortinar em que a Língua de Sinais foi a responsável pela minha evolução em todos os aspectos. 



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